Orientações ao Prescritor
Recomendações:
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Os objetivos do tratamento visam tratar a inflamação aguda atual e prevenir o desenvolvimento de novas lesões futuramente;
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O tratamento precoce é ideal para evitar evolução com cicatrizes e alopecia;
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O tratamento ideal envolve parar de barbear e remover o folículo piloso através de métodos definitivos, como depilação a laser ou eletrólise;
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Tratar os casos com inflamação aguda, hiperpigmentação pós-inflamatória e queloide;
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Para pacientes que necessitam barbear para manter a barba limpa ou em que o trabalho faz essa exigência, optar por técnicas de barbear com menos chances de desenvolver a pseudofoliculite.
Tratamento Farmacológico
Escolha um dos esquemas ou associe-os conforme manifestação e necessidade clínica.
Esquema A: Em caso de inflamação aguda moderada a grave.
Escolha uma das opções:
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Hidrocortisona
(1% creme). Aplicar nas lesões 2x/dia, por 7-10 dias;
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Desonida
(0,05% creme, pomada ou loção). Aplicar nas lesões 2x/dia, por 7-10 dias;
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Dexametasona
(0,1% creme). Aplicar nas lesões 2x/dia, por 7-10 dias;
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Peróxido de benzoíla
(5 ou 10% gel). Aplicar fina camada nas lesões 1x/dia até melhora clínica. Diminui inflamação e ainda previne contra infecção secundária;
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Clindamicina
(1% gel). Aplicar nas lesões 2x/dia, por 7-10 dias. Diminui inflamação e ainda previne contra infecção secundária;
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Para outras opções de tratamento que incluam antibióticos tópicos, acesse o Guia de Antimicrobianos:
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Esquema B: Antibióticos orais. Em caso de inflamação aguda moderada a grave e predomínio de pústulas (alguns direcionam o tratamento como uma foliculite por
Staphylococcus
spp.,
e outros tratam de forma similar à acne):
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Doxiciclina
(100 mg/comprimido). Tomar 1 comprimido VO de 12/12 horas, por 14 dias. Após, 1 comprimido VO 1x/dia até completar 1-3 meses de tratamento;
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Para outras opções de tratamento com antibióticos orais, acesse o Guia de Antimicrobianos:
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Esquema C: Ceratolíticos. Em caso de inflamação aguda com hiperceratose perifolicular.
Escolha uma das opções:
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Tretinoína
(0,025 ou 0,05% gel ou creme ou 0,1% creme). Aplicar fina camada nas lesões 1x/dia à noite até melhora clínica e lavar o rosto pela manhã;
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Ácido glicólico
(5, 8 ou 10% em gel ou creme). Aplicar fina camada nas lesões 1x/dia à noite até melhora clínica;
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Ácido glicólico
(70% solução). Aplicar na área das lesões de 2 em 2 semanas, no máximo 5 sessões:
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Deixar o produto por 2-4 minutos na área comprometida e depois neutralizar a pele com água gelada;
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Peeling
só deve ser realizado pelo médico e dentro do consultório.
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Ácido salicílico
(3-5% solução). Aplicar fina camada nas lesões 1x/dia à noite até melhora clínica.
Esquema D: Clareadores. Em caso de hiperpigmentação pós-inflamatória.
Escolha uma das opções:
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Ácido azelaico
(15% gel ou 20% creme). Aplicar nas lesões 2x/dia até melhora clínica;
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Hidroquinona + tretinoína + fluocinolona acetonida
(4% + 0,05% + 0,01% creme). Aplicar nas lesões 1x/dia à noite até melhora clínica;
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Ácido glicólico + ácido kójico + hidroquinona
(10% + 3% + 4% creme). Aplicar nas lesões 1x/dia à noite até melhora clínica.
Esquema E: Em caso de queloide, pode-se fazer corticoide intralesional.
Escolha uma das opções:
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Triancinolona hexacetonido
(20 mg/mL suspensão estéril). Diluir 0,2 mL do produto com 0,6 mL de soro fisiológico e aplicar no máximo 0,05 mL por pápula queloideana a cada 4-6 semanas;
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Triancinolona acetonida
(40 mg/mL suspensão ocular). Diluir 0,1 mL do produto com 0,7 mL de soro fisiológico e aplicar no máximo 0,05 mL por pápula queloideana a cada 4-6 semanas. Preferido em comparação ao Hexacetonido.
Tratamento Não Farmacológico
1.
Métodos definitivos de remoção dos pelos (tratamento ideal):
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Depilação a laser:
3 a 7 sessões quinzenais;
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ND: YAG 1.064 mm (boa opção para fototipo alto), diodo 800-810 nm, alexandrita 755 nm ou luz intensa pulsada;
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Cuidado com os parâmetros usados em fototipos altos pelo maior risco de hiperpigmentação pós-inflamatória;
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ND:YAG também pode ajudar no tratamento de lesões inflamatórias agudas.
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Eletrólise.
2.
Em inflamação aguda com poucos pelos acometidos:
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Remoção dos pelos encravados com agulha estéril.
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3.
Em caso de queloide (além do corticoide intralesional):
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Dermabrasão;
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Laser
ablativo;
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Cirurgia.
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Orientações ao Paciente
Para pacientes que necessitam barbear para manter a barba limpa ou em que o trabalho faz essa exigência, optar por técnicas de barbear com menos chances de desenvolver a pseudofoliculite, como:
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Trocar o aparelho de barbear por um mais adequado:
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Barbeador elétrico:
Deixa os fios com, no mínimo, 0,5-1 mm de comprimento, evitando barbear rente à pele;
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Barbeador desenhado para pele sensível;
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Barbeador com navalhas múltiplas de tecnologia avançada:
I
mpede o corte do pelo muito rente à pele, o contato da lâmina com a pele e, assim, o uso de força excessiva.
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Manter o aparelho de barbear em ambiente seco e frio e não usar a mesma lâmina mais que 5 vezes;
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Técnicas de barbear:
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Usar sempre lâminas afiadas;
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Barbear no sentido do crescimento dos pelos e com movimentos leves;
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Usar movimentos curtos, barbear de forma lenta e suave;
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Evitar passar a lâminas várias vezes no mesmo local;
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Não estirar a pele enquanto barbeia.
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Frequência para barbear:
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Barbear regularmente (a cada 1-3 dias) e, se possível, diariamente, evitar que o pelo cresça até um tamanho suficiente para se curvar e entrar na pele ao lado.
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Evitar barbear a seco:
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Antes de barbear:
Lavar o rosto com água morna (2 minutos antes) ou fazer compressa de água morna com movimentos circulares (por 5 minutos antes) e usar sabonete leve para hidratar o pelo da face e reduzir a força necessária para barbeá-lo;
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No momento de barbear:
Aplicar bastante gel ou espuma de barbear (mantém umidade do pelo e serve como antifricção) e pode deixá-lo alguns minutos antes de começar;
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Depois de barbear:
Limpar o rosto, fazer compressa gelada na área barbeada por 5 minutos e usar creme hidratantes de pele ou produtos pós-barba.
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Uso de cremes depilatórios:
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Menos chance de causar a pseudofoliculite, mas podem ser irritativos, ainda mais para uso regular, e gerar mudança de descoloração permanente da pele.
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Depilação com cera ou com pinça:
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Melhor que barbear, mas também podem predispor à pseudofoliculite com penetração transfolicular do pelo. Evitar arrancar a pele ao redor do pelo encravado com a pinça.