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Osteocalcina

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Definição: A osteocalcina é considerada a mais relevante constituinte proteica não colagenosa da matriz óssea. É um polipeptídeo composto por 49 aminoácidos, com peso molecular de 5.800 Da, rico em ácido glutâmico.

Sinônimos: Proteína GLA óssea; BGP; OC; Ocn; Osteocalcina sérica; Osteocalcina - Sangue.

Quando ocorre a síntese da matriz óssea, uma certa parte de osteocalcina é liberada na circulação, podendo, então, ser mensurada no sangue. Dessa forma, ela pode ser considerada como um marcador da formação óssea.

Ela é sintetizada pelos osteoblastos, odontoblastos e condrócitos, com metabolização predominantemente renal e, em menor escala, hepática. Sua produção é dependente da vitamina K , e é estimulada pela 1,25(OH) Vitamina D. Ela possui uma meia-vida de, apenas, aproximadamente 5 minutos na circulação.

Sua função biológica óssea ainda não está totalmente compreendida, porém acredita-se que ela possa agir como um sítio de deposição para os cristais de hidroxiapatita.

    Indicações:
  • Marcador da formação óssea;
  • Monitorar o exercício e o tratamento medicamentoso anti-reabsortivo para osteoporose/osteopenia;
  • Auxiliar na decisão para a escolha do tratamento mais adequado de pacientes com hipercalciúria;
  • Monitorar o metabolismo/ t urnover ósseo secundário a algumas patologias, tais como síndrome de Cushing, mieloma múltiplo, hiperparatireoidismo primário, síndromes disabsortivas, dentre outras.

Como solicitar: Osteocalcina.

  • Orientações ao paciente: jejum de 8 horas. Informar medicações em uso. A depender da metodologia/kit diagnóstico utilizado, sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar, e refrigerar (2-8 o C) a amostra imediatamente. A coleta deve ser feita, preferencialmente, pela manhã; [cms-watermark]
  • Material: sangue; [cms-watermark]
  • Volume recomendável: 1,0 mL. [cms-watermark]
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha.


Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela.
  • Homens: 1,1 a 11,0 nanogramas/mL; [cms-watermark]
  • Mulheres: 0,7 a 6,5 nanogramas/mL;
    • Observação! Os valores de referência para a osteocalcina podem variar muito de acordo com o laboratório clínico, metodologia utilizada, sexo, idade (crianças e mulheres menopausadas apresentam concentrações maiores), período menstrual (níveis maiores na fase lútea), ritmo circadiano (pico ao entardecer, e nadir ao amanhecer), estação do ano (maior no verão), dieta, exercício, genética, dentre outros fatores.

Os ensaios para osteocalcina ainda não são padronizados, haja vista que os vários tipos de anticorpos utilizados nos kits diagnósticos reconhecem diferentes fragmentos, levando a resultados discrepantes entre os métodos/fabricantes. Dessa forma, resultados obtidos em ensaios distintos não devem ser comparados entre si.

Anticorpos heterófilos podem interferir nas dosagens.

Enzimas proteolíticas podem degradar a osteocalcina, devendo, assim, ter o soro separado das células rapidamente.

Em soros lipêmicos, os resultados podem estar falsamente diminuídos.

Amostras acentuadamente hemolisadas podem prejudicar a sua determinação.

A vitamina K pode afetar a quantidade de carboxilação da osteocalcina. Pacientes em uso de antagonistas da vitamina K e/ou com dieta deficiente dessa vitamina, devem ter seus resultados interpretados com cautela.

A dosagem da osteocalcina subcarboxilada parece predizer melhor alguns desfechos clínicos (ex.: fraturas).

Resultados falso-positivos e falso-negativos podem ocorrer em até 20-30% dos pacientes.

Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta, pela possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios.

Devido a sua eliminação pelos rins, pacientes com insuficiência renal podem ter níveis elevados sem aumento do turnover ósseo.

    Aumento:
  • Alto turnover ósseo;
  • Osteopenia/osteoporose;
  • Hiperparatireoidismo;
  • Doença de Paget;
  • Acromegalia;
  • Mieloma múltiplo;
  • Insuficiência renal.
    Diminuição:
  • Tratamento da osteoporose/osteopenia;
  • Hipoparatireoidismo;
  • Hipotireoidismo;
  • Drogas (ex.: glicocorticoides).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

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