' ECA - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

ECA

Voltar

Definição: A enzima conversora da angiotensina (ECA) possui a capacidade de converter a angiotensina I em angiotensina II, além de atuar na inativação de bradicinina, encefalina e taquicininas.

Sinônimos: Enzima Conversora da Angiotensina; Quiminase II; Peptidil Dipeptidase A; ACE; sACE; Enzima Conversora da Angiotensina I; ECA Sérica; ECA - Sangue.

Enzima que integra o sistema renina-angiotensina-aldosterona, o qual regula funções essenciais do organismo, como a pressão sanguínea e o balanço hidreletrolítico (a ECA hidroliza a angiotensina I em angiotensina II, um importante vasoconstritor e estimulador da aldosterona).

O gene q codifica a ECA e está localizado no braço longo (q) do cromossomo 17 (17q), apresenta um polimorfismo de dois alelos, denominados "inserção" (I) e "deleção" (D), e cada pessoa tem duas cópias do mesmo gene, com três combinações possíveis (DD, ID ou II).

Pacientes com genótipo "DD" apresentam altos níveis circulantes de ECA, e os indivíduos "II" têm concentrações baixas da enzima. Já os pacientes com genótipo "ID" apresentam níveis enzimáticos intermediários.

A maior atividade da ECA é encontrada nas células endoteliais pulmonares, com eliminação aparentemente hepática. Ela tem meia-vida em torno de 48 horas, com variação média diária pequena, inferior a 10%.

    Na sarcoidose, sua atividade pode se relacionar com a gravidade da doença:
  • Estágio 1: 68% de positividade;
  • Estágio 2: 86% de positividade;
  • Estágio 3: 91% de positividade.

A ECA também pode ser dosada no líquido cefalorraquidiano para fins de auxílio ao diagnóstico da neurossarcoidose.

    Indicações:
  • Diagnóstico, monitoramento e prognóstico de sarcoidose, bem como na silicose;
  • Investigação da doença de Gaucher;
  • Monitoramento de adesão ao tratamento com inibidores da ECA (IECA).

Como solicitar: ECA.

  • Orientações ao paciente: Não é necessário nenhum preparo específico. Informar medicações em uso;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos, aliquotar o soro em um tubo de plástico estéril e refrigerá-lo (estável por 7 dias a 4ºC);
  • Material: Sangue;
  • Volume recomendável: 1 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha - Ilustração: Caio Lima.
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela - Ilustração: Caio Lima.
  • 15 a 70 U/L:
      Observações!
    • A atividade da ECA em crianças e adolescentes saudáveis pode ser até 50% maior do que a de adultos, sendo superior em meninos em relação às meninas durante a adolescência;
    • Os valores de referência para a ECA podem variar de acordo com o Laboratório Clínico e a metodologia utilizada.

Em fumantes, a atividade da ECA é cerca de 30% inferior àquela de indivíduos não tabagistas.

Não apresenta sensibilidade e especificidade boas para o diagnóstico de sarcoidose.

Os IECA podem exercer efeitos variáveis nas concentrações dessa enzima (o grau de inibição parece ser método-dependente).

Algumas raras famílias não têm um inibidor endógeno da atividade da ECA, apresentando níveis aumentados dessa enzima.

Terapia de reposição hormonal na menopausa com estrogênios causam uma queda de 20% na atividade dessa enzima.

Uma pequena quantidade de indivíduos aparentemente normais pode apresentar níveis aumentados da ECA.

Amostras acentuadamente hemolisadas, lipêmicas e ictéricas podem interferir nos resultados dos exames em algumas metodologias.

A atividade da ECA em crianças e adolescentes saudáveis pode ser até 50% maior do que a de adultos, sendo superior em meninos em relação às meninas durante a adolescência.

Determinados polimorfismos no gene da ECA influenciam nas suas concentrações séricas.

    Aumento:
  • Sarcoidose e outras doenças granulomatosas;
  • Esclerose múltipla;
  • Hipertireoidismo;
  • Doença de Addison;
  • Diabetes mellitus ;
  • Úlcera péptica;
  • Hepatopatia alcoólica;
  • Síndrome nefrótica;
  • Pneumonite bacteriana;
  • Pneumocistose;
  • Insuficiência renal crônica em tratamento dialítico;
  • Asma;
  • Enfisema;
  • Alguns carcinomas pulmonares;
  • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana;
  • Doença de Gaucher;
  • Hanseníase;
  • Histoplasmose;
  • Cirrose biliar primária;
  • Síndrome da fadiga crônica -disfunção imune;
  • Amiloidose;
  • Mieloma;
  • Síndrome de Melkersson-Rosenthal;
  • Psoríase;
  • Hiperparatireoidismo;
  • Hipercalcemia oncogênica;
  • Alveolites alérgicas;
  • Coccidioidomicose;
  • Beriliose;
  • Asbestose;
  • Silicose;
  • Genótipo "DD";
  • Crianças e adolescentes saudáveis.
    Diminuição:
  • Tabagismo;
  • Insuficiência renal crônica em tratamento conservador;
  • Hepatopatia crônica;
  • Algumas malignidades;
  • Hipotireoidismo;
  • Anorexia nervosa;
  • Genótipo "II";
  • Medicamentos (IECA).

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Blanco-Pérez J, Salgado-Barreira A, Blanco-Dorado S, et al. Clinical usefulness of serum angiotensin converting enzyme in silicosis. Pulmonology. 2024; 30(4):370-7.

Bonney P, Obirikorang C, Quaye L, et al. Association between angiotensin-converting enzyme (ACE) insertion/deletion polymorphism and hypertension in a Ghanaian population. PLoS One. 2024; 19(12):e0311692. [cms-watermark]

Hu X, Zou L, Wang S, et al. Performance of serum angiotensin-converting enzyme in diagnosing sarcoidosis and predicting the active status of sarcoidosis: a meta-analysis. Biomolecules. 2022; 12(10):1400. [cms-watermark]

Kanaan S, Garcia MAT, Xavier AR, eds. Bioquímica clínica. 3. ed. Rio de Janeiro, RJ: Atheneu; 2022.

Baudin B, Zendjabil M, Allouche S, et al. Dosage de l’enzyme de conversion de l’angiotensine-I sanguine: aide à la validation de méthode [Measurement of angiotensin-I-converting enzyme in the blood: help for method validation]. Ann Biol Clin (Paris). 2020; 78(4):454-60.

Kanaan S. Laboratório com interpretações clínicas. Rio de Janeiro, RJ: Atheneu; 2019.

McPherson RA, Pincus MR, eds. Henry's clinical diagnosis and management by laboratory methods. 23rd ed. St. Louis, MO: Elsevier; 2017.

Cziráki A, Horváth IG, Papp L. Endothelial function studies in pulmonary vascular disease: determination of angiotensin converting enzyme activity in humans (review). Int J Mol Med. 2002; 9(3):317-25.

Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK, eds. Jacobs & DeMott laboratory test handbook with key word index. 5th ed. Hudson, OH: Lexi-Comp Inc.; 2001.

Maguire GA, Price CP. A continuous monitoring spectrophotometric method for the measurement of angiotensin-converting enzyme in human serum. Ann Clin Biochem. 1985; 22(Pt 2):204-10.

Rodriguez GE, Shin BC, Abernathy RS, et al. Serum angiotensin-converting enzyme activity in normal children and in those with sarcoidosis. J Pediatr. 1981; 99(1):68-72.