' CA 125 - Prescrição
Conteúdo copiado com sucesso!

CA 125

Voltar

Definição: Trata-se de um antígeno glicoproteico de alto peso molecular (> 200 kDa), normalmente expresso por tecidos derivados do epitélio celômico. É considerado um marcador tumoral, sendo utilizado, notadamente, mas não exclusivamente, no contexto dos carcinomas ovarianos.

Sinônimo: Antígeno de Câncer 125; Antígeno CA 125; Câncer Ag 125; Antígeno de Carboidrato 125; CA-125; CA 125 - Sangue; CA 125 sérico.

O CA 125 é utilizado como um marcador inespecífico, já que pode ser encontrado em pacientes saudáveis, doenças benignas e vários tipos de neoplasias. Pode estar presente em mais de 80% dos carcinomas ovarianos epiteliais não mucinosos, por exemplo.

É encontrado no soro de pessoas saudáveis, apresentando uma meia-vida sérica de, aproximadamente, 4-8 dias, produzido por tecidos normais, em baixas concentrações.

Concentrações mais altas de CA 125 estão correlacionadas com estadiamentos mais avançados de câncer de ovário, podendo, também, predizer desfechos adversos.

Para melhor interpretação dos resultados, seus níveis devem ser sempre avaliados em conjunto com história clínica, exame físico e outros exames complementares. Testes seriados são, de maneira geral, mais úteis que um resultado isolado.

    Indicações:
  • Investigação, monitorização de tratamento, prognóstico e detecção de recidiva de carcinomas ovarianos;
  • Diagnóstico diferencial de massas pélvicas;
  • Pré-operatório de ressecção de câncer de ovário;
  • Auxiliar na avaliação da resposta ao tratamento da endometriose;
  • Avaliação de outras malignidades ginecológicas (ex.: endométrio, tuba uterina, mama) e não ginecológicas (ex.: pâncreas, cólon, pulmão, pleura, pericárdio).
    Contraindicações:
  • Em razão de sua relativa baixa sensibilidade e especificidade, não deve ser utilizado, de rotina, na população geral para a triagem de tumores ovarianos primários.
    Como solicitar: CA 125.
  • Orientações ao paciente: não é necessário preparo específico. Sugere-se, a critério clínico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta, pelo risco de interferência analítica em algumas metodologias;
  • Tubo para soro (tampa vermelha/amarela). Aguardar a devida retração do coágulo, centrifugar a amostra por 15 minutos e armazenar o material sob refrigeração (2-8 o C);
  • Material: sangue;
  • Volume recomendável: 2,0 mL.
Texto alternativo para a imagem Figura 1. Tubo para soro - tampa vermelha. Ilustração: Caio Lima
Texto alternativo para a imagem Figura 2. Tubo para soro - tampa amarela. Ilustração: Caio Lima

< 35 unidades/mL.

Observação! O s valores de referência para o CA 125 podem variar de acordo com laboratório clínico, kit diagnóstico e metodologia utilizada.

Cirurgias abdominais podem causar, por si só, aumentos temporários do CA 125. Deve-se, portanto, aguardar, pelo menos, 3 semanas após o procedimento para a coleta do soro.

A quimioterapia pode causar falso declínio de sua concentração, de maneira que resultados dentro dos valores de referência nem sempre descartam a recidiva.

Suas concentrações oscilam de acordo com as fases do ciclo menstrual. Mulheres pós-menopausadas tendem a possuir concentrações menores.

A presença de anticorpos heterófilos na amostra pode interferir nos resultados.

Os resultados obtidos entre os diferentes kits diagnósticos, métodos e laboratórios clínicos podem não ser comparáveis entre si.

Caso haja mudança de metodologia/ kit diagnóstico, os pacientes em acompanhamento seriado deverão ter seus valores de base redefinidos.

Níveis aumentados podem ser encontrados em pacientes saudáveis, doenças benignas e vários outros tipos de neoplasias.

Os resultados não devem ser interpretados como evidência absoluta da presença ou ausência de doença.

A interpretação de um único resultado tem baixo valor clínico/diagnóstico. Testes seriados são mais úteis para a avaliação da resposta ao tratamento.

Até o momento, os dados disponíveis são insuficientes para se recomendar, de rotina, o uso desse marcador tumoral para triagem, seguimento e avaliação de recidiva do câncer ovariano. Entretanto, pacientes de alto risco (ex.: predisposição genética) podem se beneficiar de seu uso.

Sugere-se, a critério médico, a suspensão do uso de Biotina (vitamina B7) nas 72 horas que antecedem a coleta, pela possibilidade de interferência analítica em alguns ensaios.

Aumento: Neoplasias (ovário, endométrio, tuba uterina, mama, pâncreas, colorretal, pulmão, próstata, mesotelioma, peritônio, rabdomiossarcoma uterino, linfoma, carcinoma cervicovaginal). Condições não neoplásicas (gravidez, processos inflamatórios do cólon, doença hepática, endometriose, mioma, doença inflamatória pélvica, doenças autoimunes, cistos ovarianos, tuberculose peritoneal, peritonite, menstruação, síndrome de Meigs), indivíduos saudáveis.

Diminuição: Resposta ao tratamento.

Autoria principal: Pedro Serrão Morales (Patologia Clínica e Medicina Laboratorial).

Han KH, Park NH, Kim JJ, et al. The power of the risk of ovarian malignancy algorithm considering menopausal status: a comparison with CA 125 and HE4. J Gynecol Oncol. 2019; 30(6):e83.

Charkhchi P, Cybulski C, Gronwald J, et al. CA125 and Ovarian Cancer: A Comprehensive Review. Cancers (Basel). 2020; 12(12):3730.

Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK. Jacobs & DeMott laboratory test handbook with key word index. 5th ed. Hudson: Lexi-Comp Inc., 2001.

Kanaan S, Garcia MAT, Xavier AR. Bioquímica Clínica. 3a ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2022.

Kim JH, Cho HW, Park EY, et al. Prognostic value of CA125 kinetics, half-life, and nadir in the treatment of epithelial ovarian cancer: a systematic review and meta-analysis. Int J Gynecol Cancer. 2023; 33(12):1913-1920.

Luo HJ, Hu ZD, Cui M, et al. Diagnostic performance of CA125, HE4, ROMA, and CPH-I in identifying primary ovarian cancer. J Obstet Gynaecol Res. 2023; 49(3):998-1006.

Matsas A, Stefanoudakis D, Troupis T, et al. Tumor Markers and Their Diagnostic Significance in Ovarian Cancer. Life (Basel). 2023; 13(8):1689.

McPherson RA, Pincus MR. Henry's clinical diagnosis and management by laboratory methods. 23rd ed. St. Louis: Elsevier, 2017.

SBPC/ML. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML): fatores pré-analíticos e interferentes em ensaios laboratoriais. 1a ed. Barueri: Manole, 2018.

Shih M, Sokoll L, Chan DW. Ovarian cancer. In: Diamandis EP, Fritsche HA, Lilja H, et al. Tumor Markers: Physiology, Pathobiology, Technology and Clinical Applications. Washington: AACC Press, 2002. 239-252.

Song L, Qi J, Zhao J, et al. Diagnostic value of CA125, HE4, and systemic immune-inflammation index in the preoperative investigation of ovarian masses. Medicine (Baltimore). 2023; 102(37):e35240.

Zhang M, Cheng S, Jin Y, et al. Roles of CA125 in diagnosis, prediction, and oncogenesis of ovarian cancer. Biochim Biophys Acta Rev Cancer. 2021; 1875(2):188503.