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Sedação na Escassez de Medicamentos

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Definição: No contexto de pandemias ou desastres naturais, ou até mesmo em regiões com pouca estrutura e recursos, pode ocorrer a falta ou escassez de determinadas medicações como sedativos e bloqueadores neuromusculares, que são necessários para os cuidados de pacientes críticos. O desafio é encontrar alternativas terapêuticas acessíveis e plausíveis que possam ser utilizadas nesses pacientes.

Em grande parte das vezes é necessário algum grau de sedação durante o uso de ventilação mecânica, porém em algumas situaçãoes específicas, não é obrigatória a utilização de uma sedação contínua.

Diariamente deve-se realizar tentativas de redução ou suspensão de sedativos e bloqueadores neuromuscular, avaliando a tolerância e resposta do paciente.

Em cenários onde medicações rotineiras para sedação como Midazolam e Fentanil não estão disponíveis, pode-se fazer uso com segurança de outras classes de medicamentos substitutos, como veremos adiante.

    Recomendações gerais:
  • Paciente deve ser estabilizado do ponto de vista hemodinâmico;
  • Sempre utilizar monitorização com escalas de sedação;
  • Evitar sedação profunda;
  • Reavaliar diariamente a necessidade de sedação ou bloqueador neuromuscular;
  • Todos os pacientes necessitam de analgesia adequada;
  • Sempre utilizar as menores doses possíveis, porém eficazes;
  • O alvo da sedação é manter um RASS de -2 a 0.

Opções Terapêuticas

Quando sedativos de rotina como Midazolam e Fentanil estão em falta, podemos substituir tais drogas por outras classes de medicação de forma segura e confortável e com efeito semelhante. Como por exemplo:

    Propofol:
  • Dose: Ataque: 0,3-0,6 mg/kg/hora EV e manutenção: 0,3-3 mg/kg/hora, de acordo com o nível de sedação desejado;
  • Evitar doses > 5 mg/kg/hora por mais de 48 horas de infusão, dado o risco de síndrome de infusão do Propofol. Durante o uso de altas doses, sempre monitorizar os níveis de triglicerídeos;
  • Possui grande efeito depressor cardiovascular;
  • Evitar administração em dose única, em bólus e de forma rápida por ter um grande potencial hipotensor.
    Cloridrato de Escetamina:
  • Dose: 0,1-0,4 mg/Kg/h EV;
  • É um dos anestésicos mais disponíveis em regiões de baixa e média renda;
  • Possui um excelente perfil de segurança;
  • Possui grande efeito analgésico e sedativo;
  • Pode ser utilizada junto com Propofol diminuindo seu efeito hipotensor;
  • Promove uma maior estabilidade hemodinâmica;
  • Tem efeito broncodilatador.
    Dexmedetomidina:
  • Dose: Ataque: 1,0 mcg/kg EV por 10 minutos e manutenção 0,2-0,7 microgramas/kg/hora EV;
  • Pacientes já sedados não precisam de dose de ataque;
  • Pode ocorrer hipotensão e bradicardia;
  • Alguns pacientes quando estimulados podem despertar e ficar alerta, porém sem desconforto;
  • Possui grandes propriedades neuroprotetivas;
  • Promove estabilização hemodinâmica.

Pacientes internados em unidade intensiva em ventilação artificial por período prolongado, em situações de escassez de medicações usuais.

As contraindicações estão relacionadas com cada droga e com o estado clínico de cada paciente.

  • Tolerância às medicações;
  • Síndrome de abstinência;
  • Hiperalgesia;
  • Reações alérgicas;
  • Instabilidade hemodinâmica;
  • Delirium .

Autoria principal: Gabriela Queiroz (Anestesiologia).

Revisão: Vinicius Zofoli (Terapia Intensiva).

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