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A profilaxia é o fundamento do bom cuidado a ser instituído ao paciente em estado crítico. Entende-se que esse grupo de pacientes é submetido a diferentes agressões do ambiente, a exposição a variados agentes infecciosos, medicamentos e dispositivos (invasivos ou não), além do decúbito restrito e obrigatório. Realizar profilaxias melhora o prognóstico e apresenta impacto direto na morbimortalidade desses pacientes.
A falta desse cuidado é um indicador de má qualidade em assistência hospitalar.
A úlcera por pressão (escara) é uma lesão decorrente do contato prolongado entre partes moles (pele, região subcutânea e musculatura) e ossos com a superfície (colchão e outros).
A maior parte dos pacientes admitidos em hospitais ou instituições de longa permanência ficará imobilizada e restrita ao leito. Seja por estarem sedados, torporosos ou confusos, muitos deles apresentam uma movimentação inadequada, ou falta dela, permanecendo longas horas na mesma posição.
Atenção! Esse tipo de lesão tecidual pode ser responsável por quadros infecciosos. Funciona como porta de entrada para germes, sendo estimado aumento em 2 vezes no risco de infecções. Ademais, causam dor, desconforto, prolongam o tempo de internação e dificultam a recuperação do paciente.
Figura 1.
Estágio III de úlcera por pressão.
Créditos:
Dra. Luiza Schinke Genn - Rio de Janeiro/RJ
Alguns fatores influenciam a cicatrização adequada das úlceras por pressão.
Para a técnica de limpeza, utilizam-se pinças e gazes umedecidas com SF 0,9% associada a iodo ou clorexidina, evitando traumatizar o local e priorizando a retirada de debris.
Feridas com tecido necrótico ou esfacelo necessitam, além da limpeza mecânica, do desbridamento para retirada de material estranho, tecido desvitalizado, até a exposição do tecido saudável.
Úlceras de calcâneo, quando estáveis, não necessitam ser desbridadas. Devem-se acompanhar essas lesões diariamente para seguir a evolução.
Autoria principal: Gustavo Guimarães Moreira Balbi (Clínica Médica e Reumatologia).
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